Empregos do futuro estão na energia renovável

Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

Em um momento em que o presidente americano Donald Trump promove o desmonte das políticas energéticas ambientalmente limpas do ex-presidente Barack Obama, o norueguês Erik Solheim, 62 anos, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma, reafirma o que vem sendo dito por analistas: que os empregos do futuro estão na iindústria da energia renovável. “Se criar empregos é prioridade, energias renováveis fazem todo sentido”, diz.

O estímulo aos combustíveis fósseis pode ameaçar os próprios EUA com risco de “perder grande volume de empregos que irá acontecer em outras partes do mundo”, diz Solheim, ex-ministro do Desenvolvimento e do Meio Ambiente da Noruega. A transformação rumo à economia verde é um movimento que “não pode ser contido por decreto”, diz. “As oportunidades de emprego no setor de energia solar crescem 12 vezes mais rápido que o resto da economia dos EUA”, compara.

Solheim foi um dos arquitetos do Fundo Amazônia, chefiou o comitê de assistência ao desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e agora está em cruzada mundial no combate à poluição – vetor que mais causa mortes prematuras no mundo. Nos EUA são ao menos 200 mil ao ano, mais que o dobro do total das vítimas de Alzheimer. Os cortes no orçamento da agência ambiental americana, a EPA, tendem a piorar o quadro já que transportes são a grande fonte de poluição do ar.

Outra previsão perturbadora é que a estima que em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes. Solheim defende uma “nova economia do plástico” em que se garanta que sejam recicláveis degradáveis. “E que o plástico, que é um material muito útil, seja usado apenas onde necessário”, diz. Pragmático, mudou o nome Pnuma para ONU Ambiente (UN Environment), para ampliar a compreensão de suas mensagens. Em visita ao Brasil, deu esta exclusiva ao Valor, onde comenta a agenda ambiental em cenário global de governos populistas: “Não é uma questão da esquerda ou da direita”. Veja a entrevista aqui

Fonte: Valor

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