A importância de “Mr. Link” para o Brasil

Saiba mais sobre o homem que mudou a história de petróleo no Brasil

Aqui no blog, você já teve conhecimento sobre o início da história do petróleo, a partir da grande descoberta do Coronel Drake, em 1859, e de como Monteiro Lobato tentou explorar o petróleo nacional, na década de 30.

Carlos Walter/Divulgação

Carlos Walter/Divulgação

Mas, para sermos mais precisos, no Brasil, a “jornada” do petróleo tem início quase cem anos depois dos acontecimentos com Drake, com a volta da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Segunda Guerra Mundial, durante os períodos de desabastecimento de combustíveis e também devido ao apoio dos militares em fazer o país ingressar nessa realidade petrolífera. Daí, surgiu um dos principais movimentos cívicos do país, “O Petróleo é Nosso!”, que influenciou na criação da Petrobras pelo então presidente Getulio Vargas, em 3 de outubro de 1953, e entrou em cena um personagem bastante significativo e relevante para a história petroleira do Brasil: o geólogo americano Walter Link. E nós vamos contar um pouco mais sobre a sua história  resumindo para você um artigo baseado em uma carta entre Walter Link e Carlos W. Marinho, um dos primeiros geólogos brasileiros enviados por Link para o exterior.

Mais popularmente conhecido como Mr. Link, o prestigiado geólogo da Standard Oil chegou ao Brasil em 1955, a pedido do general Juracy Magalhães, o primeiro presidente da Petrobras, para liderar a busca pelo petróleo nacional. Apesar de ter auxílio de alguns técnicos brasileiros formados, em sua maioria, pelo Conselho Nacional do Petróleo, Link ainda não estava satisfeito com a qualidade dos profissionais e decidiu enviar diversas turmas de profissionais do país para as melhores universidades dos Estados Unidos, como a Colorado School of Mines, a Universidade do Texas e a de Oklahoma, por exemplo. Porém, o geólogo corria contra o tempo e a ansiedade do Brasil em se tornar uma potência petrolífera. Assim, Link tomou a ousada decisão de importar dezenas de outros geólogos, geofísicos e engenheiros estrangeiros, que fariam o trabalho dos técnicos brasileiros e, depois, seriam repatriados e substituídos, à medida em que os nossos profissionais voltassem dos estudos nas universidades americanas.

Walter K. Link/Divulgação

Walter K. Link/Divulgação

Link foi responsável por implementar na Petrobras um padrão de excelência, com a organização e as práticas das melhores empresas de petróleo do mundo. No entanto, após cinco anos de trabalho, Link percebeu que as bacias sedimentares em que estavam trabalhando não teriam capacidade de proporcionar ao Brasil a autossuficiência em petróleo que todos desejavam. O Relatório Link, por sua vez, era composto por cartas, telegramas e relatórios técnicos desenvolvidos por Link e sua equipe, e avaliava qualitativamente as bacias sedimentares brasileiras. A partir dessa análise, eram atribuídas notas no formato de letras A,B,C e D para ratificar recomendações sobre o direcionamento de futuros investimentos da companhia, de acordo com o potencial exploratório dessas bacias. Como o resultado obtido da bacias terrestres brasileiras não foi satisfatório, Link indicou investimentos em áreas de maior potencial no exterior, especialmente no Oriente Médio, e, posteriormente, nas bacias marítimas do Brasil.

O conselho de Link não foi bem recebido e o fato de a Petrobras ter desmontado a sua base operacional em Belém seguindo as orientações do geólogo também agravaram o descontentamento com o seu trabalho, culminando na volta de Link para a Califórnia, em 1961. No entanto, as previsões do especialista – que morreu em 1982 – foram confirmadas e, mesmo com investimento pesado nas bacias paleozoicas, a Petrobras não fez descobertas mais relevantes, à época. Hoje, sabe-se que, mesmo com as limitações do período, as avaliações referentes ao potencial das bacias terrestres feitas por Link, bem como suas recomendações, foram extremamente precisas e pertinentes, tornando a sua contribuição para a história petroleira do Brasil inestimável.

 

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